Inteligencia Digital (ID)
Outro dia, em uma daquelas conversa por video com a mãe para aliviar a saudade, pinçava assuntos aleatórios e comezinhos quando ela enunciou o caso da cientista chinesa que teria fugido da perseguição do terrível governo Chines para os Estados Unidos da América e lá denunciado o SARS-COV2, vírus causador do COVID-19, sendo um virus produzido em laboratórios na China.
Já não era novidade para mim a constante necessidade de fortalecer a imunidade contra desinformação e teorias conspiratórias acerca da pandemia como por exemplo, e talvez a mais ridícula, a de que a rede 5G teria dado origem à pandemia. Eu procurei dizer com carinho mas com dificuldade em dissimular certa angustia: “acredite em mim! não é criado em laboratório, a comunidade cientifica conhece a origem desse virus. O genoma da família do corona vírus vem sendo mapeado desde a explosão de SARS em 2003”. Disse que iria buscar ler o paper da tal cientista foragida e traduzir alguns materiais académicos para ela ler mas a respeito através de fontes reconhecidas. Ao fim vi que esse assunto é mais amplo pois sabia que minha amada mãe recebia tais informaçōes do gélido mar da internet. Entendi entäo que o descrito aqui pode ser de interesse de outros perdidos em suas ilhas de conhecimento (se conseguirem vencer a neblina de seus valores individuais) . Coloco então este texto em pequena garrafa e as lanço ao mar na esperança de por sorte servir de rumo à terra firme.
“Acredite em mim!”
Mas acreditar é exatamente a questão central desta conversa e portanto vejo o quão errado eu estava ao clamar isso à minha mãe. Tudo o que acreditamos são, a princípio, modelos mentais que esperamos (francamente) refletir uma realidade objetiva. Friso francamente com parêntesis pois falho em pensar que o desejo das pessoas em geral seja o de ser conscientemente enganado ou se enganar com convicção. A ideia de uma distância entre realidade objetiva (As coisas como eles são independente de nossa existência) e realidade subjetiva (As coisas como as interpretamos) já surge por volta de 400 AC na Grécia no texto de Platão conhecido como a Alegoria da Caverna onde prisioneiros no fundo de uma caverna enxergavam o mundo exterior apenas pelas sombras formadas no fundo dela. Assim são nossos modelos mentais, sombras formadas pela pouca luz capturada por nossos limitados sentidos. E sei que não gostamos de pensar em nos mesmos como seres com importantes limitações.
E como criamos esses modelos?
Com informação! Nossa mente processa informação semelhantemente ao dispositivo em que lê este texto. Não é possível formar opiniões ou tomar decisões sobre coisas que não temos informação a respeito. Seria como perguntar para você: "O que o sr David Bortolussi deve fazer para aumentar os lucros de sua empresa no quarto trimestre?". Provavelmente um numero absolutamente ínfimo conseguiria responder essa pergunta de pronto, sem ter de abrir uma nova aba do navegador de internet. E se a informação estiver errada? bem, a opinião ou a decisão obrigatoriamente seguirá o erro. Mas raramente pensamos a respeito da "Qualidade" da informação que consumismo pois costumamos nos julgar que nossa inteligência saberá identificar prontamente informações erradas. Para reforçar: Inteligência é a capacidade de trabalhar a informação. Estando errada a informação teremos uma conclusão inteligente sobre algo errado.
Igualmente às exigências que temos ao adquirir nosso alimentos, deveríamos nos importar com a qualidade adquiro que irá nutrir nosso intelecto. Mas infelizmente algumas informações, como ao açúcar, são cuidadosamente confeitados para aguçar nossos valores e viciar nossas conclusões. Uma nova industria descobriu que despejar informações em nossas mentes por chips conectados em nossas mentes chega a ser mais lucrativo do que comercializar petróleo. E você pode estar pensando, "Olha o cara falando de desinformação e teorias conspiratórias escrevendo sobre chips em nossos cérebros". Não me refiro a implantes, que são caros, complexos e absolutamente desnecessários. Basta um dispositivo e uma ou duas contas de redes sociais.... Nossos dados pessoais e de navegação na internet sendo negociados em balcões virtuais e um bombardeio de informação embaralhado com desinformações chegando em nossas timelines todos os dias.... Controle a informação que um recebe e controlara suas opiniões e por que não, seu voto.
E o que fazer então?
Precisamos avaliar a qualidade da informação que consumimos. E principalmente entender que somos pessoas limitados no processo de criação de modelos mentais. Temos de ser critico conosco, com as fontes de informação e com a informação em si. Se nossos modelos mentais estiverem alinhados com uma realidade objetiva haverá sempre implicações que podem ser verificadas. Quando isso ocorre chamamos esse modelo de ciência, ou conhecimento, quando não recebe o nome de crença. Temos de forma geral dificuldade em dizer não sei. respostas rápidas gastam menos energia e tempo.
Mas afinal quero ser feliz ou estar certos?!
Eu diria, depende pois redes sociais são algo desimportante, apenas um passatempo, entretanto receio termos passamos do ponto de não volta dessa discursão. Não é mais uma questão de escolha se acreditamos ou não em algo, é uma questão de se estamos sendo manipulados ou não. Portanto uma nova inteligência precisa ser desenvolvida, a inteligência Digital, que inclua as habilidade de critica, de experimentação e verificação com a realidade objetiva. E acima de tudo aceitar que, por mais inteligentes nossa auto-estima permita nos julgar, podemos estar errados. Talvez com isso poderemos ter de volta a liberdade dos nossos pensamentos.